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Cesinha Pivetta

Release

Jovem compositor, ator e cantor de São Paulo, Cesinha Pivetta, chega levantando uma bandeira que simboliza anos de dedicação a cultura popular. Essa bandeira tem a cor vermelha, do sangue, e uma boa causa a defender: o samba. Um dos criadores do “Samba do Bule”, animada roda que acontece mensalmente no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, Cesinha lança o primeiro CD, “Nossa Bandeira”, de forma totalmente independente, com apoio da Por do Som na prensagem e na distribuição.

Gravado ao vivo na Sala Guiomar Novaes, dentro do Complexo Cultural Funarte em São Paulo, em 2012, o CD teve show de lançamento no dia 31 de janeiro no Sesc Bom Retiro. Na gravação, Cesinha contou com participação de um de seus mestres, o veterano Waldir 59, de 87 anos, o mais antigo compositor da Velha Guarda da Portela. Waldir trouxe para a roda dois sambas de sua autoria, “O Molho e Samba”, de 1962, e “Lamento de Uma Raça”, este em parceria com Candeia, que tem sabor de inédito. A canção só teve um registro caseiro anteriormente, e saiu no CD que acompanha o livro “Candeia: Luz da Inspiração”, de Joao Batista M. Vargens, em 2008.
Waldir 59 e Osvaldinho da Cuíca participam do show de lançamento do CD, no dia 31. A escolha criteriosa do repertorio revela o engajamento libertário e a veia pulsante de Cesinha como compositor e letrista, que também assina sambas em parceria com seu pai, Cesar Vieira, alem de Carlos Castilho, Raul da Silva e Vitor Bortolucci Jr. “Cidadão Samba” tem a assinatura de Vieira, Castilho e outra figura lendária do meio cultural de São Paulo J.C. Botezelli, o “Pelão”, produtor de vários discos antológicos de compositores como Cartola e Adoniran Barbosa. A faixa principal, que dá título ao disco, é de pai e filho: “Olhando bem vais ser bordado o sonho que cada um quer ver sonhado”, diz a letra.

Jocenir da Bandeira, misterioso sambista, que ninguém conhece pessoalmente, também tem seu nome cravado no disco, em parceria com Cesinha em “Bordão de Aço”. Jocenir é uma espécie de entidade que baixa nos compositores do Samba do Bule. "É uma figura mítica, fictícia", segundo Cesinha. É que as vezes compositores da roda surgem com um samba que todo mundo diz ter “a cara de Jocenir”, e os autores acabam agregando o nome dele a parceria. É algo abstrato, que não se explica. “Qualquer um do Bule pode ser Jocenir.”
A predileção pelo samba está no sangue de Cesinha, de forma que transcende a força de expressão. Seu pai, Cesar Vieira, é fundador do Teatro Popular União e Olho Vivo, que existe desde 1966 com sede própria, onde se dão as rodas do Samba do Bule, ensaios e outros encontros. "É onde eu mais me sinto à vontade", diz Cesinha. Edificado sobre a plataforma de levar o teatro “onde o povo está”, unindo musica, teatro e outras manifestações da cultura popular brasileira, como circo e bumba meu boi, o TUOV se tornou símbolo de resistência cultural em São Paulo, com larga repercussão no Brasil e no exterior.
Cesinha cresceu nesse ambiente e ainda criança passou a integrar o elenco do grupo, que na comemoração dos 435 anos de São Paulo, em 1989, se apresentou para mais de 800 mil pessoas no Vale do Anhangabaú, em tarde que teve Demônios da Garoa e outros artistas. Há sambas de Vieira, agora gravados por seu filho, que fizeram parte de montagens teatrais do grupo na década de 1960.

Ele também herdou do pai o gosto pela leitura e pela poesia e foi com ele também que conheceu os desfiles de carnaval de São Paulo e as grandes figuras do samba, entre eles seu mestre Pelão. Já o ouvido musical e o talento vocal vieram de sua mae, Marcia Moraes. “Ela tem uma voz rouca, cantava no teatro até o meu nascimento. Boa parte da familia dela cantou, teve ou ainda tem grupos musicais.”

Aos cinco anos, interpretou Adoniran Barbosa numa pequena cena da peca “Barbosinha Futebo Crubi”, sobre o sambista paulista. “Foi o primeiro sambista de quem conheci a historia, e acho que entendi a mensagem que a poesia dele continha, com o seu sujeito sendo o trabalhador que não pode perder o trem das onze, o maloqueiro que ficou saudoso sem seu teto, ou mais um que via sua Iracema partir vitima do transito que já enlouquecia a cidade”, lembra. “Acho que esse foi o grande ponto em que percebi que queria sambar mais e mais.”
Desde pequeno, Cesinha também já se interessou mais pelos instrumentos de percussão. “Aprendia muito com os batuqueiros do TUOV e depois com a grande percussionista Miriam Capua”. Tentei diz o compositor. “Mais tarde aprendi algo de cavaquinho e violão, que uso mais para compor, mas na roda mesmo gosto e de batucar.”

Paralelamente as atividades de ator, Cesinha, que cursou Ciências Sociais e se formou em Rádio e TV, também trabalhou numa produtora de vídeo e foi por essa atividade que acabou indo morar por um ano no Rio de Janeiro, para pesquisar material no Centro Cultural Cartola. “Apaixonado por samba” como sempre foi, ali ele deitou e rolou. “Chegando lá o pessoal percebeu que não era só de vídeo que eu entendia, tinha algo mais.” Sem bairrismo, mesmo que seja as avessas, a música de Cesinha tem mais afinidade com a malemolência carioca do que com o samba paulistano de marcação mais dura, herança do samba rural. Ele também evita falar em influências para não correr o risco de ser injusto, mas tem predileção por compositores como o baiano Batatinha e os cariocas Nelson Cavaquinho, Paulo Cesar Pinheiro e Paulinho da Viola.

Prefere acordes menores e, como Pinheiro, aprecia o samba com a forma original do lamento. “Se tudo acaba na quarta feira/ Valeu viver o carnaval?”, pergunta em “Baquetas em Pedaços”. E prossegue: “Amores que nas cinzas foram em vão/Não marcam como as batidas do surdão/ Que melancólico triste fim/ Outra vez rasgada a pele do aflito tamborim".
“Com arranjos dele e Marrom Santos, o CD foi gravado em uma única noite e sem pós-produção”. Apenas duas musicas foram refeitas no fim da apresentação. Cesinha fez questão de valorizar no registro o som do bandolim, em vez de, por exemplo, contar com um naipe de metais. E o samba bem próximo da raiz mesmo.
A ilustração da capa é outro achado. Foi feita por Andre R. Lemos (que criou todo o projeto gráfico), inspirada no célebre quadro “A Liberdade Guiando o Povo”, que o artista francês Eugene Delacroix pintou em comemoração a revolução de julho de 1830, que tirou do trono o impopular Carlos X, que, entre outras medidas, censurou os meios de comunicação.
Na tela, que causou grande impacto na época, a bandeira francesa (﴾com as cores que simbolizam fraternidade, liberdade e igualdade)﴿ saltava aos olhos em posição de vitoria revolucionaria. Na versão de Lemos, a bandeira em uma só cor esta na mão de uma porta estandarte. No cortejo que se segue não ha mortos entre os representantes do povo. E no lugar das armas, instrumentos musicais e baquetas. O simbolismo, no entanto, passa longe da caricatura carnavalesca: e um espelho de boas intenções, com todo “o calor do momento” captado na gravação do disco.
Com a benção de sua madrinha no samba, Leci Brandão, Cesinha pede passagem cantando bonito, com força e com vontade. É o sangue novo que o samba de São Paulo vem precisando para a circulação fluir mais refinada.

Texto Lauro Lisboa


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