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Maria Alcina

Release

Contagiante mas também intimista Maria Alcina Moises, volta misturando eletrônico e acústico e gerações de diferentes compositores no CD "Confete e Serpentina"

‘Meu samba não se importa se eu não faço rima’. Esse verso de Paulinho da Viola serve como senha para o novo CD de Maria Alcina, Confete e Serpentina, lançamento do selo Outros Discos. Livre de qualquer amarra, com a mesma bela voz de sempre casando-se perfeitamente com arranjos que privilegiam o contemporâneo, essa mineira de Cataguases realiza um dos seus trabalhos mais primorosos.
Como sempre foi de surpreender desde sua aparição explosiva no Festival Internacional da Canção (1972), Alcina é aqui pródiga em conjugar compositores consagrados como o próprio Paulinho, Tom Zé, Lô Borges, Alzira E e Sergio Sampaio, a outros tão competentes, não 'novos',  pois já estão há algum tempo na batalha, mas ‘quase-inéditos’ como Wado, Adalberto Rabelo (banda Numismata), Moisés Santana, Roseli Martins e Ronei Jorge.
O disco retoma também a parceria com o produtor, arranjador e tecladista Mauricio Bussab, do Bojo, grupo ‘eletrônico’ com o qual gravou o bem-sucedido álbum Agora (2003). Juntos, Maurício e Alcina foram atrás de um repertório nada óbvio e que pudesse aliar a vivência da cantora à sua constante busca por novos timbres, novos sons.
Assim é Maria Alcina. Múltipla. Dessa maneira, loops e beats computadorizados do Bojo em Não Pára convivem muito bem com a formação de regional em Cachorro Vira-Lata, homenagem a Carmen Miranda, assim como é acompanhada de uma banda de coreto na marchinha Espaço Sideral para, na faixa seguinte Açúcar Sugar, suingar a partir de base eletrônica.
Na última música do CD, uma homenagem feita por Adalberto Rabelo, ela canta sem falsa modéstia: “Maria Alcina confete e serpentina/Vison, lamê, brilho, pluma e paetê/Pra acabar com toda a falta de alegria/Inocular uma nova epidemia/Pra balançar o esqueleto e a apatia/Abandonar toda vã filosofia”.
Maria Alcina tem pautada sua carreira em buscas e desafios. Saiu de Cataguases (MG) quando viu  remotas as possibilidades de uma vida artística. Foi para o Rio de Janeiro, onde conviveu com músicos diversos cantando em boates e casas de shows, apresentou-se em teatros de revista ao lado de Leila Diniz, por exemplo, até explodir em 1972 no FIC com Fio Maravilha de Jorge Bem. Lançou composições de Rita Lee (Tum-Tum), João Bosco & Aldir Blanc (Kid Cavaquinho), Eduardo Dusek (Folia no Matagal), sempre com seu jeito imprevisível e anárquico.
Nos anos 80, fez enorme sucesso com músicas retiradas do folclore, como Prenda o Tadeu, É mais embaixo e Bacurinha, do álbum Prenda o Tadeu. Dez anos depois, a  convite de Nelson Motta, participou de disco e show em homenagem a Carmen Miranda, sua influência sempre declarada, no Lincoln Center (Nova York), na companhia de Aurora Miranda e Marília Pera.
O encontro com o Bojo, em 2003, ampliou sua faixa de público. Juntos apresentaram-se em importantes eventos para jovens como Com: tradição (São Paulo e Rio) e Abril Pro Rock.
Na edição “22o. Premio da Musica Brasileira”(antigo Premio Tim), considerado o mais importante da musica brasileira, Maria Alcina arrebatou duas premiações na categoria popular. O de melhor disco “Confete e Serpentina” e de melhor cantora em cerimônia realizada no Canecão, Rio de Janeiro em Julho/2009.

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